domingo, 25 de maio de 2008

. Mini-férias .

Bremen tem sido um bálsamo. Finalmente algum tempo pra descansar, já que a reunião aconteceu logo na manhã seguinte à nossa chegada. Com pouco mais de meio milhão de habitantes, o clima é de cidade pequena, pelo menos na praça principal. Temos ido lá todos os dias, aproveitamos um encontro de corais onde enquanto um grupo cantava num palco improvisado, outros cantavam espalhados na praça, circundada por prédios de pelo menos seis séculos, vários restaurantes, barraquinhas e mesas ao ar livre. A comida, excelente. O vinho, branco, riesling, espetacular. Enfim, atmosfera descontraída, temperatura amena (uns 20C), música boa, crianças, idosos, todo mundo se divertindo e aproveitando o sol (que se põe quase às 22:00h nessa época do ano).

Prédio na rua do hotel, a caminho da Marktplatz

Marktplatz - Altstadt Town Hall e Catedral de St. Pauli

Catedral de St. Pauli

Die Stadtmusikanten - personagens do conto dos Irmãos Grimm - e uns garotos cantando

Aspargos brancos

Altstadt Town Hall

Detalhe de prédio

P.S.: Hoje é domingo e os sinos da catedral de St. Pauli estão tocando desabaladamente :)
P.S.2.: Fico devendo fotos do Schnoor e de Roland, protetor da cidade.
quinta-feira, 22 de maio de 2008

. Da janela - Bremen, Alemanha .

. Ainda na China enviamos pelo correio duas caixas com roupas de inverno pro Brasil. Tomara que cheguem. Ainda assim, carregamos três malas grandes e pesadas, alem de 2 malinhas pra computador que levamos sempre como bagagem de mão. Há quem ache muito, há quem ache pouco, mas a verdade é que somos duas pessoas que carregam a vida pessoal e profissional pelo mundo afora. Roupas, remédios, sapatos (inclusive os de segurança, pra usar nas fábricas), câmera, computadores, scanner, celulares, todos os fios e cabos pertinentes, documentos, souvenirs... tudo isso não chega a ser um inconveniente quando se pega um avião no ponto A e se vai direto ao ponto B, mas é um inferno com rodinhas quando se passa por 2 táxis, 3 aviões, 2 balcões de check-in, 2 carrosséis de bagagem e 0 (zero) carregadores no hotel de destino.

. Por enquanto ão dá pra dizer nada sobre a cidade, mas parece ser bonitinha, com nível catotal* médio. Só para registrar, os níveis catotais da Índia e da China eram 12 numa escala de zero a 10. O povo - até agora - tem sido muito amigável e simpático.

. O pão, aliás, os pães do café-da-manhã são fantásticos. O primeiro pão decente que como em meses.

. Já encontramos o grego que vai chefiar a equipe de inspeção. A. foi pra fábrica para a reunião e eu fiquei aqui no hotel com uma tarefa de gincana: organizar a bagagem (que foi arrumada às pressas) e os recibos, mas acho que vou tirar um cochilo antes de começar.

* nível catotal: quantidade de catota produzida pelo nariz devido a sujeira/poluição.
quarta-feira, 21 de maio de 2008

. Guten Tag! .

Chegamos em Bremen depois de 32 horas de viagem, entre aviões e conexões, entre dubai e munique, escadas pra cima e pra baixo...
Estamos arrasados, cansadíssimos, detonados, mas vivos e inteiros.
Agora é ir dormir porque já passa de meia-noite e amanhã o rojão começa às 8:30h da manhã.
segunda-feira, 19 de maio de 2008

. Não vingou... .

Como esperado, o projeto subiu no telhado, miou por uns dois meses e por fim caiu. A fábrica conseguiu realizar a memorável façanha de, três meses depois, não conseguir completar nenhuma - NENHUMA - peça. Começou pela matéria-prima fora da especificação, passou pela completa desorganização do laboratório que nunca apresentou o pacote do ***primeiro*** dia de testes, pela inabilidade dos empregados (teoricamente certificados) em manejar o maquinário, por um impasse numa das máquinas - crucial para os testes - que durou dois meses e que ainda não foi resolvido satisfatoriamente, pelo controle de qualidade inexistente, aliás, pela ausência completa de gerenciamento, culminando com a inflexibilidade na re-negociação do cronograma.

Pena, mas melhor assim. Eu, particularmente, ficaria muito preocupada em ver esse produto sendo enviado pros nossos chefes. Nunca me senti tão insegura sobre a qualidade de um projeto, nunca me senti tão frustrada e impotente depois de conversar, explicar e argumentar tantas vezes, à procura de uma solução.
sábado, 17 de maio de 2008

. Como prometido .

Sanduíche com baked beans

. Indo embora .

No momento estamos em Beijing, tristes por motivos profissionais (depois explico), mas ainda mais tristes por ver a China passar por essa tragédia horrível. O grau de mobilização da população chinesa é impressionante. Milhões de pessoas estão envolvidas na ajuda aos atingidos pelo terremoto que aconteceu no dia 12, seja arrecadando/doando dinheiro, disponibilizando o próprio carro pra transportar água, comida, medicamento, vítimas. Leia mais no blog do jornalista brasileiro Gilberto Scofield.
segunda-feira, 12 de maio de 2008

. Ainda Hong Kong .


Pois é. Até agora não fizemos nada de especial, sequer vimos o show de luzes na baía. Me atacou uma dor fenomenal no pescoço e o A. não tolera bem a quentura + a umidade, então, fora uma visitinha rápida a um shopping center, temos ficado no hotel e/ou dando uns rolés pelas redondezas.

Ah, o shopping. Imenso, chiquérrimo, com todas as grifes famosas possíveis e imagináveis. Preços? Humm... não vi nada barato não, muito pelo contrário. Almoçamos num bistrô charmosinho, comprei uma lente macro pra minha câmera, uma sandália, um batom e uma capinha pro ipod. Antes de ir embora o A. tomou um copão de café. Aliás, não entendo a loucura do povo pela Starbucks. Muito nome e pouco sabor, ou como diriam meus conterrâneos, viva o luxo e morra o bucho.
sábado, 10 de maio de 2008

. p.s. .

tava sem poder acessar qualquer endereço blogspot (de novo) há alguns dias na mainland. aqui tá tudo liberado :))

. bem-vindo a hong kong! .

o primeiro acontecimento que me fez pensar imediatamente, opa, essa vai pro blog, foi o funcionário da imigração em shenyang ter demorado uns dez minutos olhando pro meu gigantesco nome. num país onde a pessoa se identifica pronunciando dois ou três fonemas, ana luísa dos anzóis pereira é motivo pra olhinhos apertadinhos se arregalarem um bocado (não que cheguem a ficar grandes, mas). foi lá, veio cá, olhou pra mim, perguntou que partes eram nome e que partes eram sobrenome, expliquei, digitou umas coisas, passou a folha do visto várias vezes num leitor ótico, carimbou e finalmente me deixou seguir em frente.

(clarice, se prepare quando for sua vez.)

ainda no duty free, fui comprar umas besteirinhas numa loja e enquanto abria a bolsa pra pegar o passaporte e o dinheiro, a moça do caixa começou a repetir uma palavra em mandarim. parei tudo e fiquei olhando pra ela, perguntando "what?". outra funcionária, com mais alma, traduziu: "passport". ah, tá, já tava providenciando. só eu que acho esquisito que num *duty free* de um aeroporto os *funcionários* não sabem falar uma coisa tão básica como 'passaporte' em inglês? enfim, a moça pegou meu passaporte e quando viu meu nome disparou a rir. rir, não, gargalhar. e chamou as outras pra rachar o bico também, apontando o dedo pro meu nome. eu me juntei a palhaçada com um HA-HA-HA bem irônico pra ver se elas se tocavam, mas aí foi que riram mais. resolvi cortar o barato dizendo "filhota, se apresse na risadaria senão vou perder o vôo". ouquei, recebi o troco, o passaporte de volta e seguimos em frente.

chegando em hong kong fomos imediatamente procurar um caixa eletrônico. dinheiro local na mão, resolvemos checar o papel com as orientações que o agente de viagens mandou pra pegar o ônibus que leva direto pros hotéis. tuuuudo errado, gate errado, terminal errado, perdemos um tempo danado e quando vimos que daquele mato não saía coelho, decidimos jogar o tal papel no lixo e dar um jeito nós mesmos. quando finalmente saímos da parte fechada e ar-condicionada do aeroporto pra pegar o ônibus, o mundo caiu: hong kong é quente. muito quente. e úmida. uma sauna. meu cabelo, mulato?, não negou e quase pude ouvir um tóin-óin-óin quando o bichinho encruou de volta às raízes e, por consequência, encurtou uns bons 5cm. mas tudo bem, o ônibus tem ar-condicionado. toca pro hotel, menino!

no caminho, a cidade vai se revelando. avenidas largas, pontes, túneis, prédios, muitos prédios, luzes, muuuuitas luzes, hong kong é uma espécie de cidade formada só por avenidas paulistas em época de natal (sem os motivos natalinos, claro).

o quarto do hotel - ai, o agente de viagens... - é tão pequeno, tão pequeno, que se a gente entrar muito "decomforça" periga atravessar e sair voando pela janela. ainda bem que é terceiro andar.
segunda-feira, 21 de abril de 2008

. "meu, não dá pra explicá..." .

tenho acompanhado o caso do assassinato da menina isabella pela internet e venho procurando me manter neutra, sem pré-julgamentos.
acabei de ver, porém, a entrevista que o pai e a madrasta da menina deram para o fantástico.

não entendi um monte de coisas:

1. a linguagem corporal da madrasta: sentada ao lado do marido (ou seria de costas para o marido?), agarrada a uma almofada no encosto lateral do sofá, o corpo inclinado para longe dele, a mão direita enfiada entre as pernas cruzadas ou contida pela mão esquerda. em nenhum momento ela olhou ou tocou o marido.

2. a linguagem corporal do pai: calmo, em muitos momentos sorridente, sem nenhum traço de revolta ou desespero perante a perda de uma filha. nem a possibilidade de ser condenado e ir para a prisão parece abalar o equilíbrio emocional dele.

3. o casal não se toca, não se consola, não se apóia num momento de sofrimento e dor.

4. comassim o casal nunca brigou com os filhos, nunca levantou a voz ou a mão para os filhos? é possível um casal com três crianças *nunca* perder a calma?

5. como um casal - adulto, harmonioso e feliz - briga porque um liga e não consegue falar com o outro? ou porque um quer ir jogar futebol e o outro não quer "deixar"?

6. tendo em vista a probreza de vocabulário, a construção gramatical capenga e a dificuldade que
demonstrou em concatenar idéias, como o pai:
6.1. passou num vestibular?
6.2. se formou?
6.3. em direito?!?!

7. o pai é normal, assim, normal normal?

8. como os advogados que assessoram esse casal permitiram que essa entrevista fosse feita,
expondo o comportamento atípico do casal (em face da situação) em rede nacional por longuíssimos, repetitivos e intermináveis 36 minutos?

. não é bem assim... .

viajar é bom, muito bom. vivenciar culturas diferentes é fantástico. manter a mente e o coração abertos para o novo é, além de recomendável, salutar e de quebra ainda pode render gratas surpresas.

minha condição de viajante é muito sui generis porque não sou a típica turista - aquela pessoa que junta uma grana, *escolhe* um lugar pra visitar durante um período de tempo que varia entre 15 dias e um mês, visita lugares típicos, tira centenas de fotos, se diverte e volta pra casa, nem sou a imigrante - aquela que se muda de mala e cuia pra um lugar e tem que descobrir como funcionam o sistema de saúde, o transporte público, o mercado de trabalho, o aluguel de apartamentos, etc. viajo a trabalho, coordenando projetos que duram, geralmente, de uns poucos meses a um ano, fico hospedada em hotéis e tenho sempre uma pessoa (que costumo chamar anjo-da-guarda) pra ajudar com tradução, saques de dinheiro em bancos, médicos, etc.
se por um lado experimento mais da cultura local do que um turista, por outro lado passo batida em relação a essas tarefas chatas e inevitáveis do cotidiano.

isto posto, é importante lembrar que a maneira que nós "lemos" um lugar novo é influenciado basicamente por dois fatores: a motivação e o tempo.

tomemos, como exemplo, a disney. para muitas pessoas - inclusive adultos - encontrar o mickey e a cinderela, assistir a queima de fogos no final do espetáculo, brincar nos brinquedos do parque é o que há. já pra outras pessoas a disney não significa absolutamente nada, elas estão mais a fim de curtir as maravilhas naturais desse planeta e sonham é em ir pra austrália e mergulhar entre os recifes de corais. trocar as passagens desses indivíduos é confusão na certa, concorda? pois bem, essa é a parte da motivação.

o fator tempo também é importante, já que passar uma semana sem internet ou celular, numa pousadinha escondida em campos do jordão, pode ser maravilhoso pra recarregar as energias, mas como seria passar 6 meses lá, sem poder sair pra lugar nenhum? mesma coisa com las vegas ou qualquer outro lugar, pra ser bem franca. chega uma hora que aquilo não é mais tão bacana e começa a dar nos nervos.

voltando ao meu caso, a minha motivação é o trabalho (não escolho pra onde vou, me mandam ir pra lugar X ou Y) e o tempo geralmente é maior do que eu gostaria. é muito fácil ser tolerante com uma cultura diametralmente oposta à minha se estou ali por uma semana. tudo adquire um clima de oba-oba, olhe que pitoresco!, nossa como é lindo!, puxa, que engraçado/estranho/diferente! ouquei, agora dá licença que vou fazer as malas, voltar pra casa, onde tudo é familiar e seguro e tirar meu óculos de lentes cor-de-rosa. ficar por um longo período de tempo é diferente, muito diferente. Deus é testemunha do meu esforço: se o assunto não envolve sujeira, lixo e rato, não reclamo, não critico, não sugiro aaah, mas voces deveriam fazer assim ou assado. calo a minha boca, sorrio, faço o possível para não ferir suscetibilidades e sigo em frente.

mas sou normal, me espanto com coisas diferentes das quais estou acostumada. ah, anita, mas voce está enxergando tudo com os seus olhos de ocidental. oi? alô? e era pra eu enxergar com os olhos de que mesmo? by the way, eu não sou um livro em branco e tenho minha própria cultura, ora mais! é im-pos-sí-vel não reagir - positiva ou negativamente - a usos e costumes que não fazem parte do meu dia-a-dia.

outro ponto: muita gente fala em "respeitar" os costumes alheios e eu digo que às vezes isso é possível, às vezes não. exemplo? a demonstração pública de carinho entre casais na índia não é permitida - não respeito, acho uma besteira sem tamanho, apenas tolero. tirar catota do nariz em público na china - não respeito, acho de mau-gosto, anti-higiênico, mas tolero. assassinar crianças do sexo feminino (na índia e na china), não respeito, não tolero, não aceito, não entendo, não compreendo, não quero compreender e tenho raiva de quem compreende. não não não não NÃO. a atenção e reverência pelos mais velhos (também na índia e na china) - respeito, acho lindo e lamento que grande parte do mundo ocidental tenha perdido essa característica.

tudo isso, mais o stress monumental do trabalho, cansa muito. não ter a certeza da transitoriedade - no caso do turista, nem da permanência - no caso do imigrante que se vê contra a parede e é quase forçado a assimilar parte da cultura alheia o mais rápido possível (pra seu próprio bem e sanidade mental) - é extenuante.

e voce? o que tem que "respeitar" e "entender" todos os dias?
domingo, 20 de abril de 2008

. aniversarios - das comemoracoes estranhas .

essa eh a segunda vez que passamos aniversario na china. uma palavra: bizarro.

ja falei como o meu foi comemorado? nao? pois bem: restaurante chines metido a ocidental, salinha reservada como de costume, coroa de papel (usada por mim), chapeuzinhos de papel (usados pelos convidados), buque de flores, bolo enorme (bem gostosinho!) que foi prontamente devorado por todos. com cerveja. depois do bolo comecou a chegar bife ao molho de pimenta, batata-frita, amendoim, salada (de vegetais e frutas), sopa, pipoca, pizza, cafe, cha. tudo ao mesmo tempo agora. mas foi divertido.

essa semana foi aniversario do A. vamos comemoraaar? boraaa. fomos jantar num restaurante tipicamente chines com todas as comidas chinesas tradicionais, na salinha reservada tradicional e nas tipicas quantidades batalhonescas. entenda que isso tudo ta acontecendo em plenas 18h. barriguinha pra la de feliz depois de uma refeicao pantagruelica, soube que estavamos a caminho do KTV, mais conhecidos por nos, brasileiros, por karaoke. oba! meu primeiro karaoke! tem varios pela cidade, mas fomos num que fica em um hotel bem no centro. quando a porta do elevador abriu nos vimos de frente pra um saguao iluminado com uma luz vermelha, a moda inferninho. fomos guiados para uma sala bem grande com um sofazao em forma de L, um telao imenso em uma das paredes e um computador onde se escolhia o repertorio. jogo de luz, almofadas com tigres/panteras estampados, a mesma luz vermelha. pra beber, cha e cerveja. pra comer, frutas, gelatininhas, docinhos, bombons. cerveja E docinhos. tres "hostesses" foram trazidas pela gerente (?) e o nosso amigo chines que estava bancando o anfitriao dispensou uma e ficou com duas. os chineses cantaram (um deles berrou) musicas chinesas, eu me esprangi cantando umas em ingles, um dos meninos da fabrica se animou com uma daquelas musicas tum-tum-tum de boate e saiu pinotando la pra frente numa mistura de danca e nado cachorrinho (ele ficava "remando" o ar com os bracos alternadamente - *muito* estranho), outros jogaram dadinhos e la pelas tantas, quando um dos inspetores comecou a cantar uma musica em homenagem a maotsetung, resolvemos que tava tarde - quase meia-noite - e precisavamos ir embora. foi bom, nos divertimos tambem.

fico devendo as fotos.

. bernardo .

19 de abril de 2008.
bem-vindo, querido. sinta-se muito acarinhado e nao se assuste, nao tenha medo, papai xande, mamae karin e sua irmanzinha sophia vao tomar conta de voce direitinho.
um beijo grande da tianita.
quinta-feira, 6 de março de 2008

. mais impressoes .

ouquei. vim pra china a primeira vez ano passado, entre marco e abril, fiquei em uma cidade relativamente grande (wuhan), num hotel bem confortavel e numa area bem nobre. foi um sonho - principalmente comparado com o chiqueiro de porco que era gandhidham. agora que estou aqui em liaoyang, cidade pequena (2 milhoes de habitantes, pelos padroes chineses, eh cidade pequena), num hotel onde as estrelas precisam de uma bela esfregada com brasso, e as coisas sao um pouquinho diferentes (e iguais, mas so agora to admitindo).

. agua quente: de onde eu venho, tomar agua quente eh uma das tecnicas usadas para induzir o vomito, mas aqui tomar agua gelada eh quase um crime, faz mal.

. cerveja quente: aih ja eh quase uma heresia, mas eh como eh. voce pede uma estupidamente gelada e vem uma garrafa (de 500ml) ligeiramente acima da temperatura corporal. eh de lascar.

. almoco as 11 e jantar as 17: putz, as 11 da manha eu ainda to tentando digerir o ultimo bocado do cafe-da-manha. ou esse povo comeca a comer ainda de madrugada ou todo mundo tem uma draga no lugar do estomago.

. as quantidades: e por falar em draga... ja falei isso antes, mas vou falar de novo. nao sei se eh uma maneira de mostrar hospitalidade, se eh um sintoma da "liberdade" recentemente adquirida ou se eh assim mesmo, mas em todas as refeicoes que a gente fez em restaurante foi pedida uma quantidade absurda de comida. daria pra alimentar pelo menos o dobro das pessoas presentes. e o povo aqui COME que nao eh brincadeira.

. os pratos 1: a comida eh deliciosa, mas as vezes o visual eh meio complicado para os padroes ocidentais, tipo, uma ave com cabeca e bico e tudo. meio explicito, mas tudo bem. como nao sou muito fa de sopas, as vezes passo aperto, mas nada muito serio. o que definitivamente nao entra eh tofu, quem me conhece ja sabe, mas aqui nao tem aquele tofu japones completamente sem gosto - motivo, alias, pelo qual eu nao sou chegada - e sim um tofu absolutamente fedorento e com gosto de espirro. muito ruim.

. os pratos 2: os pratos em si, a louca (loussa) - melhor dizendo -, nao sao os ocidentais. as vezes sao do tamanho de um pires, com uma cumbuquinha do lado para a indefectivel sopa. fica dificil saber a quantidade que se come, ja que a a gente se serve pouco a pouco.

. as demonstracoes publicas do que eh *absolutamente* privado: arrotar, peidar, cuspir, limpar o nariz ou a orelha - tudo normal e socialmente aceito. eu nao ligo muito, sei que eh cultural. ja falei que eles mastigam de boca aberta, falam com a boca cheia e fazem tiziu?

. a moda: minha primeira impressao, ano passado, em uma cidade maior, mais cosmopolita e numa vizinhanca mais chique, meio que me deslumbrou. aqui "em nois" a coisa eh bem diferente. muito brilho, no lugar errado, na hora errada, umas botas equivocadas, uns cabelos frisados horrorosos, umas plumas (!), enfim.

. a consciencia politica: nula. o povo realmente acredita que o estado estah aih pra dizer pra voce o que eh bom e o que nao eh. eu fico incrivel com isso.

. o bairrismo: nosso inspetor chefe, um cara jovem, que mora em beijing, que tem contato com pessoas do mundo inteiro, nao sabe o que eh maionese, nao quer saber e ja disse em alto e bom som que "experimentar comidas de outros paises eh uma tarefa muito dura". sem comentarios.
quarta-feira, 5 de março de 2008

. modo pollyanna .

desde de manha que ta rolando uma ventania assustadora. serio. se o caboco nao tiver muito lastro, sai voando, daih a segunda vantagem de ser gorda. porque a primeira eh ser menos propenso a osteoporose.

tergiversei?

p.s.: acabei de digitar as tags e vi que nada faz sentido com nada. -to consertando todas as tags de todos os posts (27 de Setembro de 2010)
ah, p.p.s.: karin perguntou nos comentarios do post passado o que eh fininha. tambem conhecida como chicotada ou como a unica coisa no mundo mais rapida do que a luz e o pensamento, fininha eh a mesma coisa que mal-estar intestinal (so porque hoje eu to fina - hohoho)
e p.p.p.s.: alexandre limaverde perguntou por email se nao tem foto minha aqui no blog. nao tem, fio. nao me acho fotogenica, to muito acima do peso, se nao eh a pele eh o cabelo que ta uma droga, e, pra completar, sou timida. ai, ai, fazer o que? :)
segunda-feira, 3 de março de 2008

. updatando .

. passei o fim-de-semana de fininha, mas hoje acordei completamente curada. se a gente tivesse programado algum passeio daria pra pensar em mandinga, mas que nada, domingo (ontem) foi puxadissimo la na fabrica.

. ja falei que comi carne de cachorro? pois comi. com pena, com remorso, mas comi. o que nao se faz em nome da ciencia? eu olhava aquelas fatias de carne e via um focinho molhadinho com dois olhos pidoes, aih tive que abstrair, pensar que era um animal como a vaca, o frango (lembrou do desenho? eu sim!), o porco. na verdade eh um tabu, eh cultural, ainda assim me foi penoso experimentar. nao gostei. alias, nem lembro o gosto. deletei. proximo passo: escorpioes no espeto.

. a china eh o cinzeiro do planeta. todo mundo aqui fuma, em todo lugar, a toda hora.

. meu mundo caiu: nao tem biscoitinho da sorte nos restaurantes chineses.

. o frio ta uma delicia, mas ja ta comecando a esquentar. no dia que fomos visitar o templo budista tava -12C e num determinado momento minhas bochechonas estavam completamente dormentes. so as bochechas, porque o resto do corpo estava muito bem empacotado. ateh as orelhas. comprei um gorrinho bem fofinho e quentinho, o problema eh que fiquei parecendo um mirim. temperatura agora, 23:40h: -3C.

. os - muitos - canais de televisao sao todos chineses, com excecao da bbc, do nhk, da deutsche welle e de um canal de filmes taiwanes (acho). o engracado eh que esse ultimo passa os filmes estrangeiros mas com um porem: todos os unicos filmes veiculados tem que ter um personagem chines. TODOS. incrivel! daih voce tire o grau de cabulosidade desses filmes.

. ja falei que os blogs do blogspot sao bloqueados aqui. a wikipedia tambem. a salvacao foi a simone que deu a dica do bloglines que permite a leitura dos meus blogs favoritos, so nao da pra comentar...

. voltando ao templo que visitei: budista, lindo, uma mistura louca de chines com indiano. tem o primeiro, menor, depois o segundo e por ultimo o terceiro, maior, com um gigantesco buda dourado, sentado, sorridente, segurando uma flor de lotus na mao direita. nao dava pra tirar fotos do interior dos templos, mas pelo exterior da pra imaginar o que ta dentro, ne?

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

. so na china... .

... voce pede um club sandwich e alem das fritas vem uma porcao de baked beans (sabe aquele feijao cozido meio doce que os ingleses gostam de comer no cafe-da-manha? pois). e gelado.

importante frisar que pedir o tal sanduiche no room service, sozinho, ja rende um post. o outro lado atende com um "ni hao, fung lung ping pong chun tchua ma?" e voce responde meio sem graca good evening. aih a mocinha diz "wait please". e eu espero. e espero e espero. aih alguem vem, pega o telefone e vai logo avisando: slowly, ok? ok. repito uma, duas, tres vezes, bem devagar, e nada da menina entender. peco pra ela vir aqui no quarto, two zero zero two (eeeeee, numero eh mais facil de entender) anotar o pedido.

ah, nao tirei foto porque o sanduiche demorou um seculo pra chegar e eu tava varada de fome. fica pra proxima.
segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

. da janela - liaoyang, china .

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

. ni hao ma .

dois meses e muita correria depois, voltamos ao trabalho, dessa vez na china. eh engracado ter mais tempo sobrando quando se estah trabalhando, mas... as ferias foram tudo menos ferias, me descadeirei toda desfazendo e fazendo mala, organizando caixas, indo a dentista, medico - cujos exames ficaram por fazer porque nao deu tempo -, banco etc.

a viagem pra ca foi loooonga, mas tranquila. viemos pela emirates e os unicos assentos disponiveis eram na primeira classe, agora imagine aih o luxo. cada assento era uma especie de cabine, com portinha corredica e tudo, comida bem gostosinha, uma selecao de vinhos otima, tv de alta definicao (das grandes, nao era aquela telinha que embute no braco da poltrona nao!), pijama, champagne, enfim. o aeroporto de dubai eh um grande duty free.

a china, depois do caos provocado pelo clima durante a celebracao do ano novo lunar, estah mais organizada, gracas a Deus. estamos em liaoyang, provincia de liaoning, e ainda estamos nos ambientando. A. foi pra um jantar, eu preferi ficar no hotel. ainda to digeringo o almoco, por sinal, delicioso. esse povo come que nao eh brincadeira. e sao magros!! como eh que pode, pulamor??

p.s.: daqui nao posso abrir o blog, da uma agonia apertar "publicar postagem" e nao poder ver o resultado final.
sábado, 8 de dezembro de 2007

. mais curtitas .

ouquei, ja tava passando da hora de vir aqui e fazer um update dos últimos acontecimentos.

.. essas férias não estão bem com cara de férias. tão mais com cara de super check-up. dentista, oculista, ginecologista etc. a parte boa é que até agora tá tudo direitinho.

.. A. chegou dia 22 e dia 06 voltou pra china. volta dia 16. parece combinado pra quando o sujeito finalmente organiza o sono ter que mudar tudo de novo.

.. minha mãe tá com diarréia há mais de um mês. hospital, médicos, exames e uma meia dúzia de possíveis diagnósticos depois, a bichinha já tá melhor.

.. tô com uma gripe danada. acho que não pego uma gripe há mais de dois anos, não dá nem pra reclamar. pelo menos aconteceu numa boa hora, já que não tenho que trabalhar com dor de cabeça e nariz escorrendo.

.. todo mundo planejando natal, reveillon e eu aqui sem poder programar nada.

.. vontade de ir de novo lááá no final da praia, comprar um quilo de camarão fresquinho, pedir pra dona maria fritar e comer tudinho acompanhado de uma cerveja gelada.
quarta-feira, 14 de novembro de 2007

. da janela - fortaleza, brasil .

terça-feira, 13 de novembro de 2007

. enfim, em casa .

mas em casa mesmo, tô no meu ceará! já comi caranguejo, ostra, bolinho de macaxeira com carne-de-sol e nesse momento o único som que entra pela janela do quarto é dos verdes mares bravios se quebrando em ondas. minha mãe - que veio ficar uns dias comigo aqui em fortaleza - dorme tranquila na cama ao lado.

os consulados foram irrepreensíveis: o americano conseguiu marcar uma reunião com o chefe do departamento de imigração e o brasileiro enviou um funcionário pra nos acompanhar. fomos muito bem atendidos por ambos e a sensação de ter com quem contar em terra estranha é incrível. mais não falo e nem conto porque, sinceramente, esse assunto já deu o que tinha que dar e tudo o que eu quero agora é deixar essa mágoa virar história e ficar lembrando não ajuda.

dúvida cruel do dia: baião-de-dois com manteiga-da-terra e paçoca de carne-de-sol (com banana acompanhando, claro) ou churrasco?
terça-feira, 6 de novembro de 2007

. trincando os dentes .

ainda em mumbai. ainda na india.
na madrugada de domingo pra segunda fomos ao aeroporto, fiz o check-in - tão feliz, eu - despachei as malas e quando fui passar pela imigração fiquei sabendo que o visto é válido, ouquei, mas precisava ter um raio de registro porque extrapolei 15 dias em uma única visita de 180 dias a india.

não posso deixar o país.

fui levada ao escritório da imigração cheio de mulheres em condições semelhantes. somente mulheres. muitas, como eu, perderam seus voos. perguntei o que fazer, a onde me dirigir, que documento produzir, mas a única resposta foi "voce pode tentar novamente amanhã".

liguei pro A. pra avisar que ele também não poderia ir a lugar algum. como o voo dele só iria sair às 5 da manhã, ele ainda não tinha feito o check-in e o desmantelo foi menor. pedir a bagagem de volta no balcão da companhia foi a coisa mais humilhante. a essa altura eu chorava e chorava, completamente sem norte, sem saber o que fazer e ninguém falava o "que" era preciso fazer.

voltamos pro hotel e danei a procurar na internet o que diabo era aquele tal registro. achei. teoricamente é preciso pagar uma taxa de US$ 30.00 pra fazer o registro fora de época, receber o documento e ir embora. simples, né? né não. não existe um lugar no aeroporto onde isso possa ser feito, o escritório central diz que não podem fazer isso aqui em mumbai e pelo jeito teremos que voar de novo pra gandhidham pra pegar esse documento que ninguém sabe quanto tempo leva pra ficar pronto. mas estamos providenciando. o mais interessante é que o visto no passaporte diz uma coisa, o site do governo indiano diz outra, a moça do escritório de imigração no centro de mumbai (fomos lá ontem a tarde) diz outra e nem o consulado em são paulo nem os oficiais no aeroporto disseram coisa nenhuma. e ainda tive que ouvir de um cidadão indiano que EU é quem deveria correr atrás desse tipo de informação. ora, quem vai a um consulado pra dar entrada num visto tá fazendo o que, pulamordedeus? eu achava que era obrigação do consulado me dar toda a orientação necessária a fim de que eu pudesse fazer tudo direitinho. mas parece que eu tô errada. tem nada não, vivendo e aprendendo.

não tô reclamando porque exigiram um documento faltante. tô, sim, emputecidíssima com a completa falta de orientação sobre como proceder nesses casos e por não ter sido avisada disso pelo consulado em são paulo.

eu morro e não vejo tudo.
enquanto todos os países do mundo caçam estrangeiros com um fio de cabelo fora do lugar pra mandar de volta pra casa, aqui na india eles lhe agarram e não deixam voce ir. e o meu consolo é que eventualmente eu vou dar o fora daqui, mas essa raça de burocratas que adora atrapalhar a vida dos outros vão ter que ficar.

vamos ver quem ri por último.

update: todas as autoridades indianas - de mumbai a gandhidham, do departamento de imigração ao departamento de polícia - se recusam a fazer o tal registro e receber a tal multa. os consulados brasileiro e americano foram acionados.
sábado, 3 de novembro de 2007

. curtitas .

. estamos em mumbai, nos preparando pra deixar a india - EEEEEEE! - no mesmo hotel em que passamos a primeira noite quando chegamos. fim de um ciclo.

. jantei carne. carne. boi. muuuuuuu. de verdade. e vegetais. todo mundo: EEEEEEEEEE!!!

. vou passar um bom tempo sem comer macarrão, arroz e feijão. ouquei, exceção aberta pro feijão - verde, de corda, com nata e queijo coalho.

. saimos de gandhidham em boa hora: ontem, enquanto viajávamos pra cá, o "dono" do paquistão declarava lei marcial, a segurança foi redobrada na fronteira, benazir bhutto - que estava em dubai - já tá voltando pra karachi, todo mundo já deu pitaco (por "todo mundo" entenda os states) e voce já pode imaginar a caixa de abelha africana prontinha pra ser cutucada.

tem sempre uma coisa pra estragar a alegria da gente?
segunda-feira, 29 de outubro de 2007

. eu tenho uma teoria .

aliás, eu tenho várias, por exemplo: a sexta faixa de um cd é sempre boa, seja voce um fã de rachmaninoff ou de beto barbosa. a chance de uma impressão dar certo é inversamente proporcional ao quão importante e urgente ela é. pra falar a verdade essa teoria evoluiu para: impressoras tem alma, personalidade e elas são divas mimadas e exigentes. mas o campo onde minhas teorias fajutas proliferam mesmo é o da natureza humana. o binônimo comida versus gente, sozinho, rende mais do que pum em cinema. quer ver? se voce toma leite com nescau no café-da-manhã, gelado, todo dia; se voce nem tenta experimentar comidas diferentes porque certamente não vai gostar, de fato, voce é basicamente um pizzivoro-sanduichivoro-sushivoro; se voce não tolera vegetais; se voce leva dois milissegundos para classificar um prato como "nojento" baseado tão-somente em sua cor/consistência/ingrediente; se o sanduiche do mcdonald's está entre os top 3 nas paradas de sucesso - voce tem aproximadamente 8 anos de idade (gastronomicamente falando). estão excluídas aí, claro, as alergias e as preferências pessoais já que é impossível gostar de tudo, mas quanto mais estreito for o seu espectro de comidas "aceitáveis", mais infantil é o seu paladar. ouquei, ninguém tem nada a ver com o que voce gosta de comer nem paga a conta do seu supermercado, mas na prática isso pode vir a ser um problema, como quando voce viaja e os sabores e texturas da sua infância ficam pra trás.

por que é que eu tô falando desse assunto? porque eu sempre me considerei uma criatura muito prafrentex em relação a comida e tive que engolir minha presunção aqui na índia. começa pelo fato de eu não gostar de cravo, o que já complica um bocado. outro problema foi ter que encarar os mesmos 9.422 temperos usados mui generosamente em quase todos os pratos ao mesmo tempo agora. essa abundância de sabores confunde completamente minhas papilas e acaba que nenhum predomina sobre os outros e, pior, deixa tudo com mais ou menos o mesmo gosto. em outras palavras, a comida indiana foi um grandessíssimo bofete na minha cara. de duas uma: ou eu ainda não tenho um paladar apurado o suficiente pra me maravilhar com as sutilezas da gastronomia indiana - se é que essa overdose de sabores pode ser considerada sutil, ou simplesmente não aprecio o gosto e ponto final. mas isso é assunto pra outro post. ou dois, ou mais.
quinta-feira, 25 de outubro de 2007

. a fé não costuma faiá .

"amanhã vou acordar bem cedo pra dar tempo fazer tudo antes de viajar ao meio-dia", disse A. não adianta, meu fi, tudo aqui só abre às 10h. tá bom, então pede pra recepção chamar um táxi pras 9:30h, vou ver se ganho tempo com o caixa eletrônico. tá. duas horas mais tarde, volta ele, surpreendentemente calmo (ainda): não tinha dinheiro no caixa eletrônico, não pude comprar a passagem porque tava faltando eletricidade na agência de viagens e o barbeiro deixou de novo um penacho no meu cocoruto, mas pelo menos a passagem tá reservada. ouquei, sem problema, a mala tá quase pronta, vai dar tudo certo. ao meio-dia, horário combinado, estamos A. e eu na recepção esperando o motorista - que não aparece. a essa altura A. já tá meio indócil, cogitando sinceramente desistir da viagem. sabe quando tudo dá errado e a gente começa a se perguntar se o universo tá mandando a gente se aquietar? mas que nada, vamos em frente. 45 minutos depois o motorista chega, eu peço pro rapaz da recepção traduzir "vá devagar, não precisa ter pressa", vá com Deus, Deus lhe proteja. subo e converso por uma hora com a simone - converso não, falo. conversar implica 2 interlocutores, mas me empolguei tanto que não deixei a pobre falar nadinha. foi mal, si, na próxima eu vou procurar me conter, tá? fui preparar o almoço, mas antes ligo pro A.: e aí, deu certo? já tá no aeroporto? NÃO, estamos perdidos no centro de bhuj, o motorista perdeu a saída pro aeroporto! (aqui ele já tava começando a perder a pachorrice). fique calmo, vai dar tudo certo. se não der tempo pegar o voo é porque não era pra ser. nesse ponto até eu já tô meio nervosa. alguns vários minutos depois, liga o A.: cheguei no aeroporto, a passagem não estava reservada, paguei mais caro por causa disso, o voo tá 2:30h atrasado e eu tô começando a ficar com fome (ele não tinha almoçado e é diabético).

é em momentos assim que eu tenho *certeza* que a próxima encarnação vai ser uma brisa.
terça-feira, 23 de outubro de 2007

. das maneiras de voltar pra casa .

quinta-feira passada, 18 de outubro. tarde da noite recebemos com inenarrável prazer a notícia de que poderíamos voltar pro brasil e gozar merecidas férias (nem que seja por pouco tempo). great. era tanta felicidade que dei uma surtada. de verdade, fiquei elétrica. liguei pra família, pros amigos, mandei emails, fui organizando mentalmente tudo o que tinha pra fazer quando em casa chegasse - medico, dentista, renovar carteira de motorista, cartão de crédito etc, comecei a escanear uma montanha de documentos pra evitar que que a alfândega acuse a gente de contrabandear papel e lá pelas tantas, quando a adrenalina começou a baixar, decidi ir dormir. já deitada, comecei o ritual noturno (afofa travesseiro, puxa coberta, liga tv). foi quando vi algumas das cenas mais chocantes da minha vida: um carro explodindo, um brilho intenso e a multidão ao redor sofrendo aquela onda de choque causada pelo súbito deslocamento de ar. pessoas ensanguentadas caídas no chão, carregadas em macas ou nos bracos, gritaria, terror. é que benazir buttho estava acabando de chegar em casa - karachi, paquistão - depois de oito anos de auto-exílio. a ex-primeira-ministra deixou o aeroporto em uma grande passeata num carro especialmente protegido e a tragédia aconteceu. ela não sofreu um arranhão, mas 139 pessoas "voltaram pra casa" e centenas e centenas de outras ficaram feridas. não tenho nem palavras pra comentar sobre isso, a tristeza não deixa.

update: a nossa volta pro brasil perdeu um pouco do brilho. provavelmente voltarei só, já que A. terá que ir a china primeiro.
segunda-feira, 15 de outubro de 2007

. bom dia .

evitei ao máximo tocar nesse tipo de assunto, mas chegou a um ponto - de novo - que não deu mais.

no dia 11 de outubro uma bomba explodiu num templo sufi em ajmer. 3 mortos e 17 feridos. ontem, 14 de outubro, uma bomba explodiu dentro de um cinema em ludhiana. 6 mortos e 32 feridos. aí voce senta pra tomar café, abre o jornal e lê que o tráfico de gente só perde para o de drogas e armas na índia: um milhão e meio de pessoas são comercializadas por ano. na página seguinte uma pesquisa feita por 18 organizações lideradas pelo international institute of population studies constata que nada mais nada menos que 40% das mulheres indianas são vítimas de violência doméstica. desse número, 54% acham que não tem problema algum serem agredidas.

agora sim, bom dia e boa semana.
sábado, 13 de outubro de 2007

. it's doris, bitch! .

doris lessing, escritora britânica nascida no irã, ganhou o prêmio nobel de literatura aos 87 anos. a pobre soube do fato por um bando de repórteres que estava de plantão em frente a casa dela. recém-chegada da feira, meio descabelada, entre uma réstia de cebolas e uma alcachofra, ela não pareceu muito impressionada não. disse que já tinha ganhado vários prêmios, que não se sentia diferente por ter ganhado mais esse, ah, ouquei, it was a royal flush. tipo, que bom, mas por que tanto auê? morri de rir!

daí que tá na moda ser cool. voce vê tanta gente mordernosa fazendo tipo, fingindo que não tá nem aí, tentando desesperadamente aparentar que não foi nada demais, fazendo cara de paisagem - até de desprezo, quando no fundo no fundo a criatura tá dando gritinhos histéricos.

dona doris, parabéns pelo nobel. a senhora é a pessoa mais fofamente ranziza e autêntica dos últimos tempos.

foto: http://www.todayinliterature.com
quinta-feira, 11 de outubro de 2007

. a tonica do dia .

eu e o A. conversando:

A.: o chefe ta com problemas serios com uma fabrica na pennsylvania.
eu: ce acha que eh possivel a gente ir pra la?
A.: nao sei...
eu: por mim eu iria ateh pro utah. aqui nao da pra tomar uma cervejinha na sexta-feira, imagino que la tambem nao.
A.: que nada, sem problema. eles so iriam pedir o dinheiro e a ID pra comprovar que voce eh maior de 21.
eu: meu querido, se eu for pro utah e o cabra achar que eu tenho menos de 21 anos, eu tasco-lhe um beijo na bochecha e fico morando ilegal la pro resto da vida. ja pensou que maravilha? eu com 60 e o povo me dando 45?
A.: o povo eu nao sei, mas capaz de o cabra lhe dar um processo por sexual harassment.
eu: ...

isso tudo pra dizer que nao tem coisa melhor pra desintoxicar os humores biliares do que uma pessoa com senso de humor e que sabe rir de si mesma.

e pra dizer tambem que:
aaaaaargh como eu quero sair daqui. nos vamos sair daqui. nos vamos sair daqui pra trabalhar noutro lugar. outro lugar onde o povo pode ateh ser pobre, pero limpinho. num lugar onde ruas tenham calcadas, pelo menos. E CARNE! qualquer lugar que nao tenha guerra, bomba, terremoto, fatwas, camelos e o povo se vista de maneira normal. saree eh lindo, mas depois de um tempo voce fica matutando o quanto a mulherada deve sofrer pra fazer tudo no mundo vestindo um saree e comeca a dar uma agonia. digo logo, nao eh uma vestimenta, assim, pratica. nao nao. fora que eu fico esperando que o enrolamento todo se desmanche e caia no chao. ja pensou a vergonha? a dela e a minha? pois bem, como eu ia falando, nos vamos trabalhar noutro lugar. temos que. para o nosso bem, para o bem de nossos coracoes, estomagos, intestinos, cabelos, peles e juizos. rezar, visualizar, pedir, implorar, mentalizar, fazer mandala, simpatia e macumba, acender vela, pedir aos amigos que mandem aneis lilases, ta valendo tudo. tem floral pra isso?
segunda-feira, 8 de outubro de 2007

. ploft .

essa noite sonhei que eu e o A. estavamos numa cozinha liiinda preparando o cafe-da-manha. a decoracao em tom castanho claro junto com o sol que entrava pela parede (parede?) de vidro deixava tudo com uma cor dourada, uma sensacao de quentinho gostoso. ouquei, isso ta parecendo sidney sheldon, mas era assim mesmo. uma ilhazona no meio em formato de "S" bem aberto, prateleiras com um monte de livros de receita, gastronomia etc, um troco daqueles que a gente pendura panela, pinca, concha por cima da ilha, potes e mais potes, de todos os tamanhos e com conteudos coloridos por todo canto, tudo interligado com uma sala de estar tambem imensa, com sofas bem fofos. entao. do lado de fora tinha uma especie de patio com uma mesinha posta. a paisagem era linda, tinha um bosque e a gente ia tomar cafe da manha la. aih eu comecei, mas como parede de vidro? nao eh perigoso? basta um tijolo e a gente babau. e esses utensilios todos pendurados, nao enchem de poeira? e porque eu to indo tomar cafe-da-manha no meio do sol, pulamor? ah, eh porque nao ta quente. nao ta quente? onde eh que eu to?

acordei.
sexta-feira, 5 de outubro de 2007

. salam, shalom .

pra mim, que nasci e cresci no interior do ceara, o contato estreito com culturas diferentes eh um acontecimento e nao poderia ser de outra maneira. imagino que em sao paulo, por exemplo, terra que recebeu tantos imigrantes, ir pro jardim-de-infancia e brincar com coleguinhas cujos sobrenomes sao suzuki, stein, mastroianni ou khan seja muito comum. no meu sertao velho, porem, abundam maias, silvas, carvalhos, bezerras, andrades, limas. a buchada de bode e o catolicismo reinam soberanos.

talvez seja diferente nos dias de hoje mas no meu tempo de crianca e adolescente qualquer coisa - pessoa ou objeto - made in outro lugar que nao fosse brasil era raro. experimentei a primeira pizza com uns 10 pra 11 anos. sushi veio beem mais tarde, na adultice, apresentado pela minha amiga e gurua adry com um profetico "na primeira vez eh so mais ou menos, mas na segunda vicia". vim saber o que era pesach na adolescencia, lendo livros sobre o holocausto. kwanzaa me foi revelado de maneira muito singela atraves do site hallmark, quando fui mandar uns cartoes de natal.

tudo isso pra falar do meu deslumbramento quase infantil quando vejo milhares de pessoa carregando uma estatua de ganesha pra cima e pra baixo, cantando e batendo palmas ou quando fico horas vendo na tv um sacerdote sikh desdobrando, uma por uma, duzias de camadas de tecido ricamente bordado pra no fim revelar um livrao. sabe boneca russa? pois. e mais, cada camada desdobrada eh espanada com um super espanador enquanto alguem canta uma cancao/lamento. os templos sikh sao lindissimos, de babar mesmo.

ver - e nao so ler - todas essas diferentes maneiras de se conectar com o divino eh muito muito bacana. conversar com pessoas vindas de diferentes religioes eh extremamente gratificante, mas nesse momento eu queria comentar sobre o ramzan ou ramadan (mesmo correndo o risco de falar besteira).

no mes de ramadan os muculmanos passam 30 dias observando jejum, que vai do amanhecer ao anoitecer. nem agua eh permitido. ao cair da noite, em uma hora determinada (que varia de acordo com o fuso horario - o horario exato do por-do-sol e do amanhecer sao amplamente divulgados nas mesquitas e ateh na televisao), todos podem romper o jejum. comidas especiais, caprichadas, a coisa toda eh muito celebrada, amigos sao convidados para o iftar (primeira refeicao), pense na comemoracao! bem facinho de virar um banquete atras do outro. no dia seguinte, todo mundo acorda antes do nascer do sol e enche a panca de novo. mas tem que ser, ne? pra aguentar o dia inteiro trabalhando.

o ramadan eh, antes de tudo, um periodo de auto-avaliacao, oracoes, caridade, amor e ajuda ao proximo, mas tambem eh a melhor epoca de pagar uma especie de dizimo, o chamado zakaat, que corresponde a 2,5% das sobras acumuladas no ultimo ano. nao sobrou nada? nao paga.

la na fabrica tive oportunidade de acompanhar esse ritual, guardadas as proporcoes e com todas as limitacoes de se fazer isso num ambiente de trabalho. mas foi emocionante ver dois dos inspetores, muculmanos, claro, se prepararem para a quebra do jejum. primeiro eles desenrolaram as mangas da camisa e abotoaram os punhos, depois trocaram os sapatos de seguranca pelos sapatos normais. um deles amarrou um pano na cabeca e comecou a dispor a comida em uma mesa no canto - suco, frutas, pao, geleia, leite, agua. depois houve uma oracao e eles sentaram a mesa, olhando de instante em instante pro relogio, esperando a hora certa. obvio que pedi pra tirar uma foto.

pra muita gente pode ser uma grandessissima besteira, mas pra mim foi emocionante.

curiosidades:

- ao que parece, maome e seus seguidores viajaram para medina e la chegando encontraram os judeus jejuando no dia de ashura (yom kippur). esse dia de jejum foi recomendado tambem aos muculmanos, sendo depois substituido pelo mes do ramadan.

- em 2007 o ramadan cai entre 13 de setembro e 12 de outubro e o yom kippur eh celebrado do entardecer do dia 21 de setembro ateh uma hora depois do anoitecer do dia 22. ramadan e yom kippur sao datas moveis.

p.s.1: nao sou judia, muculmana ou catolica.
p.s.2: fiquei com uma preguica monstra de colocar link em tudo. se quiser saber mais, joga no google ou no wikipedia. o primeiro eh ponto com e o segundo eh ponto org.
quinta-feira, 4 de outubro de 2007

. magical thursday .

quintas-feiras sao especiais, sao dia de reuniao.
a quinta eh uma especie de dia magico onde todos os problemas sao resolvidos (a-rrahm), ou seja, caso apareca um abacaxi na segunda, pssst, nao pode falar nada, deixe pra quinta, ta?

ta.

mas aih a quinta chega, vai embora e ninguem faz nada. passa-se uma hora badalando num telefone, o cliente cobrando o produto, a fabrica dizendo peraih, mas nao eh bem assim, we are trying our best, o A. e eu fazendo o meio-de-campo com uma cacetada de relatorios provando que nao, isso nao vai dar certo, eh melhor procurar outro canto pra fazer seu produto, meu fi, e no fim tudo continua como era d'antes no quartel de abrantes.

eh divertido ficar observando um mentindo e o outro querendo desesperadamente acreditar na mentira, parece ateh mulher de malandro.
terça-feira, 2 de outubro de 2007

. do amor e da falta de .

ja percebeu que nao da pra evitar o grupinho moss/lohan/hilton/winehouse? essas meninas sao onipresentes, fico incrivel. as noticias vao da overdose a prisao, passando por relacionamentos desfeitos, pancadarias, bebedeiras e perseguidas carecas.

britney, porem, eh hors concurs. fico me perguntando como a vida de uma menina tao bonitinha, com uma carreira tao bem-sucedida pode, de uma hora pra outra, se tornar esse desastre.

serah que ela sempre teve o juizo meio fraco e o rompimento com o timberlake apenas acionou o gatilho? ou, como dizia uma professora minha, pra morrer ou ficar doido so basta estar vivo mesmo?



recapitulando: ao que parece, britney levou um pe-na-bunda do justin e, de la pra ca, abandonou abruptamente a imagem de garotinha bem comportada com maria-chiquinha e tudo, se declarou mulheRRR, diminuiu as roupas, aumentou a maquiagem, lancou umas musicas do naipe "slave-for-you-toxic" (quao profetico!), casou e descasou em aproximadamente 55 horas, pouco tempo depois casou novamente - dessa vez com um dancarino da trupe, renunciou a sua privacidade num reality show, teve dois filhos em menos de um ano, pediu divorcio, entrou e saiu de clinicas de reabilitacao, raspou o cabelo, gritou que era o anti-cristo, quis se enforcar, atacou fotografos com uma sombrinha, bateu em carro alheio e nem deu bola, dirigiu sem carteira, fracassou olimpicamente em seu come back no VMA, nao tem conseguido emplacar o novo album e agora perdeu a guarda dos filhos.










fora que o senso estetico tem rolado morro abaixo e ela nao se decide entre o estilo puta-beira-de-estrada













e o... que purra eh essa?














isso tudo so pra perguntar: essa moca nao tem pai, mae, amigos? por que ninguem ainda nao deu uns cascudos, "vaaaaa se aquietar, deixe de fazer merda!"? ouquei, talvez uns cacorotes a essa altura do basquete nao facam nenhum efeito, mas nao me conformo com o fato de ninguem ainda ter tido a ideia caridosa de internar num hospital psiquiatrico. estao esperando o que, pulamor? quando serah que as pessoas que convivem com ela vao descruzar os bracos, descer do camarote e acabar com esse show de horrores?

morro de vergonha por ela, morro de pena.

aquela historia de que amigo nao eh o que tira voce da briga, mas que chega dando uma voadora eh verdade. so que as vezes quem precisa da voadora nao eh o "inimigo", mas voce.
britney spears eh obscenamente rica, mas nao tem dinheiro no mundo que pague o amor de um amigo que lhe queira bem o suficiente pra lhe contrariar, dizer uma boas verdades, fazer voce chorar de vergonha e arrependimento e depois de tudo lhe oferecer o ombro e dizer venha ca, vai dar tudo certo, voce nao estah sozinha, vamos recomecar.

p.s.: voce tem amigos? eu tenho.
sábado, 29 de setembro de 2007

. a melhor do dia .

china: "anything that moves, can be eaten".

india: "anything that moves , shall be prayed to"
sexta-feira, 28 de setembro de 2007

. extra! extra! .

jadupur, 18 de setembro: um homem apostou sua cunhada num jogo de cartas. ele entregaria a moca para qualquer um que o vencesse. claro que o imbecil perdeu. o casamento da cunhada com o ganhador panaca aconteceu no dia seguinte com a ajuda da AMFOI, uma ONG que promove casamentos sem dotes no estado. a noiva, depois do casamento, disse que nao teria casado se soubesse que tinha sido uma aposta. a diretora estadual do comission for women condenou o ocorrido e disse que iria "investigar". o delegado de policia disse que, apesar de estar a par da situacao, estava aguardando uma queixa formal para iniciar as investigacoes.

conclusoes:

1. mulheres sao objetos e podem ser vendidas, emprestadas, cedidas, apostadas.
2. ainda existem, em pleno 2007, estados democraticos que permitem que a mulher seja tratada dessa maneira.

perguntas: que raio de ONG eh essa??? e que qualidade de policia eh essa???

e pra encerrar: tradicao eh um negocio muito lindo, mas tem limite.
sábado, 8 de setembro de 2007

. varios .

tinha escrito um post enorme, mas quando selecionei tudo pra salvar, plim, desapareceu. antes do control c.

enfim. vou tentar lembrar tudo.

os ultimos dias tem sido punk. A. ta com uma crise horrivel de bronquite, nao dorme de noite e tem que trabalhar o dia inteiro. tadinho. 12 dias de producao do projeto novo e ateh agora nem uma unica singela peca saiu do outro lado da engrenagem. isso eh ruim porque o cliente precisa receber o produto, mas eh bom porque, quem sabe, a Deus querer, o cliente finalmente perceba que desse mato nao sai cachorro, va atras de outra fabrica - e nos saimos daqui. to tentando comprar um celular com a tela beem grande pra poder ler meus ebooks na cama, antes de dormir. ja tentei ler no computador e acabou com minha coluna. mas aih nao tem aqui. aih tem que trazer de outra cidade. aih eles querem que eu pague adiantado. aih que eu nao pago purra nenhuma nessa vida adiantado. aih que eles aceitam trazer. hoje. amanha. sabado com certeza. mas terca-feira foi feriado. segunda como sem falta. sei. ganhei uma geladeira! tres vivas para a minha geladeira! voce ja tentou cozinhar normalmente tendo apenas um frigobar como suporte para coisas pereciveis? nao? nao eh bom. tive um domingo otimo ha umas duas semanas porque sai com jing e bob - ela chinesa, ele irlandes - pra fazer compras. pena que eles ja voltaram pra inglaterra. alias, o sotaque britanico eh tudo de phyno*, ne? voltei pro hotel falando aT All. mas ja passou. chefinhos vieram pra uma reuniao e trouxeram um enorme care package: atum, salmao, carne-seca, linguica seca, cafe, temperinhos (chilis e afins) e um monte de potinhos de gel pra limpar as maos. alguns dias depois chegou o care package que a minha mae mandou, mas esse eu prefiro chamar de farnel mesmo. carne-de-charque, saquinhos de queijo parmesao ralado (nao ria. melhor que nada), oregano, cubinhos de caldo de costela e maionese. o proximo ja estah a caminho trazendo farinha. ultimo dia 28 teve um festival chamado raksha bandhan que consiste em irmas amarrarem uma pulseira (rakhi) no pulso dos irmaos pedindo protecao. nesse dia ninguem briga, arenga, tudo eh paz e alegria. eu ofereci uma pulseira pro gerente do hotel e ele aceitou, mas antes tive que abencoar todo mundo - ele, o rapaz da recepcao, o porteiro, o assistente da gerencia. ouquei. mergulhei o dedo (anular) no kumkum e enquanto eles baixavam levemente a cabeca e seguravam a nuca, danei a sapecar pontos vermelhos na testa deles. o gerente me deu um presente - um lequezinho chines muito fofinho - e agora eu tenho um irmao indiano oficial.

lembrei de tudo e o post ficou enorme de novo.

* em homenagem a finada kathy do papel pobre.

. ulha que bunitim .

terça-feira, 28 de agosto de 2007

. nada eh perfeito .

ouquei, ta certo que sou meio relapsa pra acompanhar os ultimos lancamentos da musica, cantores novos etc. to ficando velha no pior sentido da palavra. se bobear, minha ultima referencia musical eh o grupo blitz. sabe aquela fase de bandas e cantores "down"? pois eh, acho que desisti de ficar por dentro do ultimo grito da musica porque nunca entendi muito porque era tao cool aquele povo tao depressivo, sorumbatico, e o pior, com uma legiao de fas histericos que tem sonhos eroticos com, vestem igual a, e pautam seus dialogos do dia-a-dia com trechos de cancoes. pergunta seinfeldiana do dia: what's the deal with morrissey, pulamor?

mas.

por que ninguem me mandou checar essa menina amy winehouse antes? sacanagem, hein? amei a voz, o suingue, o estilo. uma pena que a garota eh meio hard core e vive metida em episodios de abuso de drogas e bebida. e tem um casamento estranho. e um unico micro-shortinho.

mas talento ela tem de sobra.
quinta-feira, 16 de agosto de 2007

. ai minha nossa senhora da tolerancia e do respeito aos costumes alheios .

desci pra pegar uma encomenda na recepcao e fui ficando, conversando com o gerente e os outros meninos do staff, quando vi uma uma mancha cinzenta se mexendo no chao do lobby do hotel.

um rato.

li em algum lugar que, nao importa ha quanto tempo voce estah em outro pais, falando outra lingua, quando chega a hora de rezar ou de reagir emocionalmente a alguma coisa, voce volta a lingua materna. e foi assim que eu gritei "aaaai, um rato!!!" quando vi o bicho.
os meninos riram muito e disseram que eu podia baixar as pernas. mas eu vi um rato! sim, sim, nos sabemos, ele eh o nosso rato.

para tudo.

o rato eh de estimacao. os meninos dao comida pra ele e pros amiguinhos dele. eh sinal de sorte quando um deles cruza o seu caminho quando voce estah prestes a comecar uma empreitada ou ir ao centro da cidade, sabia? nao cri.

e mais, fui criticada porque o papel de parede do meu computador eh uma foto da minha gata, a preta. gatos sao bichos ruins, dao azar. ah ta. eu fico com o azar, voces ficam com a imundicie e a doenca e nao se fala mais nisso.
terça-feira, 7 de agosto de 2007

. a vida eh boa .

repita comigo: a-vida-eh-boa.

mais uma veeeez!

avidaehboa.
segunda-feira, 6 de agosto de 2007

. e agora com voces... francisca! .

mais uma vez tivemos que ligar pro dr. ravi.
ele veio ontem a noite, ouviu minhas queixas e disse ah, isso nao eh nada, eh muito comum, voce ta com uma colite e com uma ameba.

ameba.

e eu que estava pensando em adotar* um gatinho pra matar a saudade da minha preta e me fazer companhia. eu ja tenho uma companhia: minha ameba francisca.

o problema eh que francisca nao eh muito domesticada, sabe? ela eh dada a um siricotico nervoso, se mexe toda dando uma coceirinha laaa voce-sabe-onde e as vezes acho ateh que ela me morde! fora que ela rouba um bocado da minha comida, ne? muito mal-educada essa francisca. nao vai dar certo nossa parceria.

modos que to aqui, desde 4:30h da manha - chica me acordou, talvez se aquecendo para o cooper matinal? - esperando os remedios que dr. ravi vai mandar. tres dias tomando esse remedio e voce vai estar novinha em folha!, disse ele. tomara.

curtinhas:

. agora lavo meu cabelo com agua mineral. o lado ruim eh que eu me sinto culpada, uma especie de cleopatra do paraguai, por nao estar colaborando com o planeta. o lado bom eh que meu cabelo ja caiu tanto tanto tanto que um litro eh o suficiente pra lavar e enxaguar.

. agora eu tambem escovo os dentes com agua mineral. nao quero mais franciscas.

. que palhacada o negocio dos ovos, hein? e ninguem vai ser processado nao?

. como se tudo de ruim aqui nao fosse suficiente, agora a india tambem eh - declaradamente - alvo de loucos e bombas. pense num povo azarado! serah karma?


* adotar e levar pro brasil quando a gente for embora, claro.

update: chamamos o medico na segunda de manha, ele apareceu na segunda a noite, disse que mandaria os remedios na terca de manha, ligamos perguntando pelos remedios la pelas 21h de terca, ja eh 1:15h da madrugada de quarta e, obviamente, nada de remedio. enquanto isso, chiquinha parece que estah promovendo uma rave.
sexta-feira, 20 de julho de 2007

. cronica da morte anunciada .

nao sei nem como comecar a falar desse assunto.

primeiro foi o acidente com o aviao da GOL ano passado, so pra contrariar o senso comum que diz que os momentos mais "delicados" de um voo sao a decolagem e a aterrisagem. o acidente da GOL, apesar de ser considerado tecnicamente impossivel, aconteceu.

o que falar sobre o acidente da TAM? pelo que ja li nos jornais online, parece que o aviao tinha um problema que somado a pista molhada, sem grooving e curta de congonhas resultou nessa tragedia.
agora o governo aponta o dedo na cara da companhia aerea, que aponta o dedo pra anac, que aponta o dedo pra infraero, que aponta o dedo pro piloto, que nao pode mais apontar o dedo.

enquanto isso, na sala de justica, o acessor especial da presidencia para assuntos internacionais, marco aurelio garcia, e o acessor de imprensa, bruno gaspar, comemoram com gestos obscenos a possibilidade de falha mecanica da aeronave.

duvida? olhe aqui:



quer mais?
ontem, na base aerea de brasilia, o vice-presidente da anac, jose alencar, condecorou com a medalha "merito santos dumont" o diretor-presidente milton zuanazzi e tres outros diretores por "destaque nos servicos prestados a aeronautica".
veja a reportagem e o video aqui.

piada de mau gosto? insensibilidade? sem-vergonhice? humilhacao deliberada? falta de uma enxada? voce decide.

outra coisa que voce pode decidir eh, ja que ninguem faz nada e ninguem embala nem assume a paternidade de mateus, que aeroporto voce vai usar daqui pra frente. por mais que tenha havido uma soma de fatores que resultaram nesse terrivel acidente, ta na hora de aposentar congonhas. a pista eh curta, nao deixa espaco para eventuais emergencias, o que potencializa a gravidade dos pousos e decolagens que ali acontecem. claro que nao da pra, de uma hora pra outra, fechar um dos aeroportos mais movimentados do pais, mas enquanto um novo aeroporto nao vem (ou medidas que remanejem parte dos voos para guarulhos e viracopos e/ou proiba o pouso e decolagem de aeronaves grandes), eh sempre bom lembrar que o consumidor eh voce, eu, todo mundo. eh nosso direito optar por um produto ou servico que julgamos mais seguro. sugiro que voce de uma olhada nos sites da TAM e da GOL e cheque a disponibilidade, frequencia e preco das passagens que saem de guarulhos para os seus destinos rotineiros. talvez voce se surpreenda que, mesmo pagando uns cem reais de taxi, os voos de guarulhos sao, em media, uns 40% mais baratos que os de congonhas. claro que nao eh conveniente, mas no pe que as coisas estao, qualquer migalha de seguranca a mais vale a pena.
o michel lent comecou a campanha "nao voe por congonhas" e, embora deteste esse negocio de campanha, tive que aderir.

. fotos da megalopole .

como diz a fer, "crique & amprie":



entrada do hotel. repare o tapete verde, o saco plastico e a poeira.

lado direito do hotel. ta vendo o entulho?

isso eh em frente ao hotel, do outro lado da rua.

lado esquerdo do hotel.centro da cidade, na calcada (calcada?) do mercadinho.
quarta-feira, 18 de julho de 2007
depois de longo e tenebroso inverno, digo, verao (monsoons?), volto pra dar noticias.

ha umas duas semanas aconteceu um troco muito muito chato. pedimos cafe no quarto porque tinhamos uma paulada de emails pra responder e assim ganhariamos tempo. quando fui me servir de cafe vi que nao era cafe e sim um liquido amarronzado. cha, talvez? aproximei a xicara do nariz, cheirei, olhei mais atentamente e vi um cabelo boiando. e uma asa de inseto. e um monte de pontinhos pretos nao-identificados.

surtei, ne?

a cozinha nao entendeu o pedido (oh, que surpresa!) e mandou agua quente para fazer cafe soluvel. mas que agua.

pra encurtar a historia, me revoltei, chorei, imaginei quantas vezes tinha tomado cafe feito com aquela agua, quantas vezes tinha comido arroz feito com aquela agua - sem saber, sem sequer suspeitar da nojeira que passava pelos meus labios. nao tem palavra, em lingua nenhuma, que expresse fielmente a minha repugnancia.
e veio gerente, e veio dono, me prometeram mundos e fundos, medidas "urgentes" foram tomadas, mas nao consigo mais comer nem beber nada desse hotel, talvez de lugar nenhum desse pais. mas tambem, muita ingenuidade a minha. minha mae sempre diz que "costume de casa vai a praca" e a "praca" aqui eh imunda. por que eu me iludi em achar que dentro das casas e dos hoteis seria diferente? sei la. so sei que ignorance is a bliss, meu sistema imunologico a essa altura do basquete deve ser praticamente um guerreiro ninja OU meus intestinos abrigam a mais fantastica populacao de vermes do planeta.

por falar em medidas "urgentes", eis aqui um bom exemplo de como o indiano em geral tem problemas para pensar a longo prazo ou globalmente: dentre as providencias a serem tomadas, foi sugerida a contratacao de uma pessoa para lavar exclusivamente os nossos pratos e talheres. mas como assim? nos merecemos tratamento especial porque reclamamos? e os outros hospedes? tudo ouquei se eles continuarem comendo e bebendo lixo em pratos com marcas de dedos e talheres ensebados?

vale lembrar que eles ja tinham comprado, ha alguns dias, conjuntos de xicaras separados pra gente porque quase todo dia eu pedia pra trocar a minha xicara que estava suja com aquela marca de cafe no lugar onde a gente bebe, sabe do que eu to falando?

pedi um fogao ao gerente, recebi ha alguns dias. fui ao centro da cidade e comprei panelas, arroz, feijao e outras coisinhas, mas ateh o fogao chegar passei mais de uma semana comendo biscoito e leite. proteina, de um modo geral, ainda eh um problema. consegui encontrar UMA lata de presunto e UMA lata de sardinha (que ja acabaram).

p.s.: quando a agua suja esfriou na xicara dava pra ver bolinhas de gordura flutuando na superficie. aaaaaargh.
segunda-feira, 2 de julho de 2007

. blue moon e claudinha: especiais .

o A. falou que no sabado passado teve "blue moon" - a segunda lua cheia no mesmo mes, fenomeno que so acontece a cada 2 anos e meio.
acho que era a blue moon que a claudinha tentava fotografar. nao deu certo, mas em compensacao... de uma olhada aqui nesses pores-de-sol que fazem o coracao pular uma batida.

essa menina claudia influenciou muito a minha vida ha alguns anos com seus relatos de determinacao e fe inabalavel num futuro melhor. foi ela quem me ensinou, sem saber que estava me ensinando, a nao me ver como vitima de um destino pouco gentil e entrar em modo TBC (tirar a bunda da cadeira) a fim de trazer para a minha vida tudo o que eu queria: amor, felicidade, satisfacao profissional, tranquilidade e a certeza de que ha tanta tanta coisa boa pra ser vivida que a alegria eh quase nao chegando. foi ela quem me ensinou que o impossivel nao eh um fato, mas uma opiniao.

claudinha, meu muito obrigada - agora publico. e fique certa de que essa cearense teimosa lhe deseja tudo de bom que houver nessa vida. do fundo do coracao.
sábado, 30 de junho de 2007
desde ontem que a rotina aqui ta corridissima, muita coisinha encriquilhando, TPM a pleno vapor, repare no perigo:

1. ontem, depois de ir na primeira fabrica resolver umas coisas, resolvi passar na "permit shop" - que fica dentro do hotel muquifo - pra me cadastrar e poder comprar uma cervejinha. so lembrando que no estado do gujarat alcool eh proibido, excecao feita para estrangeiros, nao excedendo uma cota.
o motorista da fabrica entra no muquifo, passa em frente da fachada do hotel (a purra toda eh uma especie de resort, ta?) e estaciona numa lateral sem saida. e onde eh, manotti? eh aqui, mam. aqui onde, mofi?? so depois eu percebi que a lateral sem saida tinha um bequinho pra direita e uma portinha estreita no topo de um degrau alto.
o permit shop era la.
um quartinho escuro, caixas de cerveja kingfisher e foster's ateh o teto, um armario de mil-novecentos-e-andar-pra-frente cheio de whisky, vodka, licores e outros destilados. quatro* homens fingindo que trabalhavam. o mais (imagino) importante deles, sentado numa espreguicadeira, me pediu o passaporte. mostrei e ele folheou pagina por pagina com uma das sobrancelhas levantadas. eh, voce vai ter que deixar o passaporte aqui e depois volte as 6 da tarde pra pegar o "permit". olhe, meu senhor, eu nao deixo meu passaporte com ninguem, assino tudo que o senhor pedir, tire copia, mas ficar, meu passaporte nao fica. caaalma, vamos tentar resolver isso. o "chefe" ligou pra nao sei quem, badalou, badalou (em hindi), distingui a palavra brasil e o nome da fabrica no meio do badalo e fiquei quieta. ouquei, mam, tudo certo, o total da 1.200 rupees mais 100 pelo "permit". ta certo. entreguei o dinheiro e quando fui chamar o motorista pra levar a cerveja, o rapaz nao queria me entregar o passaporte. subi nas tamancas. meu senhor, eu disse desde o comeco que se fosse pra deixar meu passaporte eu preferia nao comprar. como eh que o senhor vem com essa historia agora? ah, entao a senhora volta daqui a uma hora com o passaporte, leva a cerveja e fica tudo resolvido. sem problema: o senhor me devolve meu dinheiro, meu passaporte e fica tudo certo. mas a senhora eh dura, hein? apois. sou mesmo. nao nasci ontem. va, leve a cerveja, mas volte em uma hora com o passaporte pra pegar o "permit". namaste, namaste, ateh mais ver.

2. hoje, depois de uma pessima noite de sono, falei pro A. ir na frente pro restaurante do hotel e pedir o cafe, dentro de dez minutos eu estaria la. cheguei no restaurante e na mesa tinha um prato de bacon frio (isso rende outro post), uma garrafinha termica com cafe e uma leiteirinha. esperamos, esperamos... A., voce pediu as torradas, os ovos, o queijo? pedi. esperamos, esperamos... o garcom passava pra la e pra ca com uma cara muito estranha. chamei. as torradas e os ovos estao vindo? o rosto dele se iluminou: sim, sim, mam. esperamos, esperamos e o resto da comida chegou.
explico: indiano tem uma mania pavorosa de responder sempre "sim, mam/sir". nao importa se voce estah perguntando se estah chovendo, se ele vai se jogar do abismo ou qual eh a cotacao do google no mercado de acoes. yes, mam. tudo eh yes. ele nao tem a mais remota ideia do que voce estah perguntando, mas a resposta invariavelmente vai ser yes. ir-ri-tan-te. dei logo uma descatitada em todo mundo e, sinceramente, se a culpa vier a bater, vai ser depois que passar a TPM. ateh la to impossivel.

* o "chefe" na espreguicadeira, um outro preenchendo o permit, outro passando umas notas fiscais para um livro e outro que levou a cerveja ateh o carro.

. moncoes .

a india propala mundo a fora a facanha de ser o unico pais com cinco estacoes: primavera, verao, outono, inverno e moncoes (monsoons) - que comecaram em junho. comecaram em junho, virgula, as moncoes nao atacam e afogam a india por igual, ao mesmo tempo. ela chega do sudeste e se move para noroeste, entao kerala eh um dos primeiros estados a fazer glub glub e - adivinhe? - o gujarat, no noroeste do pais, eh um dos ultimos.

mas ateh agora ainda nao vi nada pra tanta comocao. choveu? choveu. mas nada assim moncooooes, entende? chuviscos bestas. talvez porque aqui o clima seja mesmo meio no-cego.
sábado, 9 de junho de 2007

. laboratorio em domicilio .

o rapaz do laboratorio chegou ao hotel cedo, 8:15h. pode mandar subir, mister raguvir, obrigada.
bom dia, namaste, entre por favor, fique a vontade: o rapaz tirou os chinelos.

mandou eu sentar na poltrona, colocou a bolsa sambada em cima da mesinha de centro, abriu o ziper e tirou de dentro uma seringa descartavel lacrada (ufff), uma ampola, um torniquete de velcro, um vidrinho parecido com de maionese cheio de bolinha de algodao e alcool e um bolinho de esparadrapo. "se o senhor quiser lavar as maos eh ali, oh". o rapaz ficou meio desconcertado mas foi no banheiro lavar as maos e voltou. "pronta?" eu disse que sim e ele amarrou o torniquete no meu braco, mandou eu fechar a mao e comecou a procurar uma veia boa enquanto esfregava o algodao com alcool. "posso tentar o outro braco?". claro.

a essa altura eu ja tava apavorada, mas a idade ta me deixando covarde. um rapaz suado, fedorento, descalco, sem luvas e com as unhas mais pretas desse lado da galaxia estava prestes a furar o meu braco pra colher sangue. vou reclamar? vou nada! vai que o rapaz se enzamboa comigo e resolve tacar a seringa no meu olho? ou atinge o nervo ulnar de proposito pra me deixar com a mao aleijada? nao dei um pio.

minhas veias sao terriveis de achar, expliquei pra ele com um risinho histerico. nao se preocupe, vai dar tudo certo. tomara, pensei, tomara mesmo. aih ele apertou meu braco acima do cotovelo com toda a forca, dobrou e estendeu meu cotovelo 3 vezes, parecia que meu braco ia explodir. ele enterrou a agulha num local nirvanicamente escolhido e aos poucos um pouquinho de sangue foi escorrendo para dentro da seringa. pronto, ele disse, e mandou eu apertar o local da picada com forca. desenrolou um pouquinho do bolo de esparadrapo improvisado, rasgou um quadradinho e aplicou no local. idade? toma algum remedio? volto as 6 da tarde com os resultados. obrigada, namaste.

como disse antes, minhas veias sao problematicas, birrentas. sempre dao trabalho, sempre fico com uma manchona roxa e dolorida que demora dias pra sair enquanto fica preta, verde, amarela. nao senti a dor da agulhada. juro. no local da picada mal se nota um minusculo pontinho completamente indolor.

(!!!)

. dr. ravi .

modos que eu nao ando me sentindo muito bem, o cabelo caindo a bambao, engordando feito uma porca amarrada ao pe da mesa, olhos, rosto, dedos, pernas, pes inchados. perguntei ao A. "to gorda?". "nah, ta fofinha". "e se eu ficar careca?". "a gente compra uma peruca".

ontem, depois que o moco do housekeeping terminou de "pentear" o apartamento (tinha mais cabelo no chao do que sujeira) resolvi chamar o dr. ravi.

dr. ravi eh o medico que prescreve os remedios do A. aqui na india e, como a maioria dos indianos, se movimenta em seu proprio tempo/espaco. magro, alto, indefectivel bigode, um anel em formato de ferradura na mao esquerda, dr. ravi tem umas filosofias bem interessantes. depois de ouvir minhas queixas ele disse que suspeitava de hipotiroidismo e que iria solicitar uns exames de sangue. sugeriu que eu nao me estressasse porque, voce sabe, tudo acontece porque tem que acontecer.

hm?

sim, eh isso mesmo. no momento em que voce nasceu o ceu e os astros estavam alinhados de uma maneira unica e a forca da gravidade desses astros e planetas em conjunto determinaram o seu destino naquele momento e inclusive antes do seu nascimento porque assim como a lua provoca as mares os astros interferem nos liquidos do seu cerebro mesmo antes de voce nascer portanto nao adianta lutar contra os fatos eles estao aih porque eh assim que tem que ser.

tudo explicado assim, num folego so. aih eu perguntei se todos os indianos pensavam como ele. depois de um engasgo e uma leve hesitacao ele afirmou que sim, sim, muito provavelmente. imediatamente sorri e agradeci dizendo que agora finalmente entendia porque os indianos sao - do meu ponto-de-vista ocidental - tao passivos. essa revelacao foi um verdadeiro alivio, dr. ravi, agora entendo melhor o seu povo. agradeci com tanta alegria que dr. ravi sorriu meio amarelo e acho ateh que se ofendeu. pra tentar remediar a situacao meio constrangedora, perguntei se essa posicao nao poderia ser um pouco perigosa para as pessoas que nunca tiveram acesso a educacao como ele teve, pois certamente esse era o tipo de povo mais facil de controlar politicamente: um povo que aceita resignadamente seu "destino" e nunca reclama. ele disse que nao, que independente do nivel de educacao, todos tinham seus destinos tracados. perguntei se gandhi nao fugiria a regra ja que foi um homem que brigou pela abolicao do sistema de castas, pela independencia da india, pela inclusao das mulheres como participantes ativas da sociedade. nao, claro que nao, esse era o destino de gandhi. ah, ta.

mordi minha lingua pra evitar que a conversa descambasse em uma discussao inflamada. eu me conheco, nao me dou por vencida nunca, adorava passar domingos argumentando por horas a fio com testemunhas de jeova, aquela prosa nao tava indo no rumo certo.
queria tanto ter perguntado se, entao, a india era um pais amaldicoado. por que os astros se perfilam sinistramente provocando a morte de milhoes de bebes do sexo feminino, o desprezo das viuvas, a venda de criancas por seus pais para casarem com velhos ou animais? alias, por que mulheres sao vendidas para o casamento? por que nao se pode namorar? por que as pessoas sao processadas/presas se derem um beijo em publico? por que existe tanta imundicie? por que existem os dalits (intocaveis, nao pertencem a casta nenhuma, sao impuros)? por que universidades tem suas exposicoes de arte vandalizadas sob o pretexto de serem pornograficas? por que tudo isso junto - e muito mais - acontece nesse pais que se diz a maior democracia do planeta?

talvez os astros nao gostem dessa latitude e longitude, mas os politicos daqui devem adorar: 1,1 bilhao de pessoas bem mansinhas e conformadas com os seus destinos.
pelo menos ateh que outro gandhi apareca.

. tristeza .

era pra eu estar, nesse exato momento, deitada na minha rede, no meu quarto, ouvindo uma ou outra panela batendo na cozinha, sentindo o cheiro familiar de cafe bom, forte, passado na hora, daqueles que faz a gente ter certeza que ta em casa, o que iria me me levar a me aconchegar mais ainda nos lencois, sorrir de banda - com os olhos bem fechados! - e imaginar se a tapioca do cafe-da-manha de hoje ia ser com manteiga, nata ou coco. tapioca com nata salgadinha e cafe eh o que ha. da uma aziiiia danada, mas pra que eh que existe sonrisal no mundo?

a nossa volta pro brasil tava marcada para essa segunda-feira que passou, dia 04. e olha que quando fizemos a reserva na hora da compra imaginamos que, claro, iriamos ter que eventualmente remarcar para antes.

ra.

remarcamos para final de novembro.
mas com certeza iremos remarcar mais uma vez, dessa vez pra antes mesmo.
segunda-feira, 4 de junho de 2007

. agua .

e hoje choveu no deserto de sal do kutch! fiquei incrivel!
que maravilha. serio.
comecou com um vento gostoso, fresco, o ceu pesado de nuvens, um raio aqui, outro acola. aih choveu. agora ta um cheirinho bom de bosta de vaca misturado com terra e chuva, sabe como eh?
os locais dizem que ainda nao sao as moncoes, mas uma rebarba de um negocio que houve no mar arabico ha alguns dias. as moncoes mesmo, so dia 18.

pois.

o lado ruim eh que ja faltou energia 26 (vinte-e-seis) vezes das 4 da tarde ateh agora (11:20pm).

mas eh assim mesmo, nem tudo eh perfeito.

celebremos.
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