domingo, 15 de junho de 2008

. Portugal e meu Coração Partido .

Foi por vontade de Deus
Que eu vivo nesta ansiedade
Que todos os ais sao meus
Que é toda minha a saudade
Foi por vontade de Deus
Que estranha forma de vida
Tem este meu coracao
Vive de vida perdida
Quem lhe daria o condao
Que estranha forma de vida
Coracao independente
Coracao que nao comando
Vives perdido entre a gente
Teimosamente sangrando
Coracao independente
Eu nao te acompanho mais
Para deixa de bater
Se nao sabes onde vais
Porque teimas em correr
Eu nao te acompanho mais


Dilemei muito, eu e eu mesma, antes de escrever esse post. Sei que sou reclamadeira e não quero transformar meu blog num muro de lamentações, mas como esse episódio em particular marcou minha vida, lá vai:

Sempre tinha ouvido cobras e lagartos sobre a TAP, mas a possibilidade de economizar umas 10 horas entre voos e conexoes falou mais alto, então, em vez de fazer Bremen - Frankfurt - São Paulo - Fortaleza, decidimos experimentar chegar ao Ceará diretamente por Lisboa e dar um voto de confiança a mais famosa companhia aérea Portuguesa.

De certa forma estava bem animada porque iria pisar, pela primeira vez, na terra dos meus antepassados, mesmo que fosse só no aeroporto e por algumas horas. Lembrei imediatamente de Saramago - de quem sou fã num nível quase adolescente, do sotaque musical dos lusitanos, dos pastéis de nata, do fado, meu Deus, do fado!, da Revolução dos Cravos (linda, leia a respeito), enfim, de tudo que Portugal tem de bom e belo, mas. Sempre tem um "mas".

Decidimos sair da área de conexões a fim de fumar um cigarro e aí começaram os problemas. Primeiro que a sinalização é meio confusa. Segundo que, ao me dirigir, toda orgulhosa, a fila da imigração para cidadãos de países que falam português, a acolhida não foi lá muito amistosa. Por que está em Portugal Senhora Ana? Porque preciso pegar um avião que vai me levar pra casa. E onde esteve antes de cá vir? Expliquei. Depois veio o colega do funcionário que estava me atendendo pra saber do que se tratava. A essa altura o A. já estava lá na frente, esperando por mim. Ah, quer dizer que a senhora já teve o carimbo lá em cima? Já. Mas não precisava vir até aqui. Senhor, eu só segui as setinhas que diziam "SAÍDA". Tudo bem, me deixaram passar.

Algumas horas mais tarde resolvemos passar pela segurança novamente, de volta, a fim de pegar o voo pra Fortaleza. Quando estávamos prestes a nos dirigir ao portão de embarque decidi comprar umas coisinhas tipicamente Portuguesas. Pedi ajuda a senhora que estava no balcão e fui levada a uma prateleira com vidrinhos minúsculos e maravilhosos de geléia de "papoila", maçã bravo esmolfe (o que quer que isso signifique) e abóbora com amêndoas, dentre outras. Peguei uma meia-dúzia e, ao me aproximar do caixa, não resisti ao queijo manteiga e uns queijinhos de azeitão (de-li-ci-o-sos).

Minutos finais, entregamos o cartão de embarque e... tivemos que descer uns lances de escada. Lá embaixo havia um ônibus já cheio de passageiros. Fomos convidados a nos espremer lá dentro e assim fizemos. Dez minutos, quinze minutos, meia hora, o tempo passando, todo mundo em pé dentro do tal ônibus, mais e mais passageiros entrando (!?), eu, num estado de espírito entre nostálgico e revoltado, me lembrava da linha Antônio Bezerra - Unifor dos meus tempos de faculdade, quando finalmente a funcionária da TAP teve alma e mandou o motorista seguir. Viagem curta, verdade, e segura. Não havia a mínima possibilidade de alguém se desequilibrar e cair com os arranques e freadas bruscas do motorista, simplesmente não havia espaço pra tanto.

E eis que chegamos ao avião. E nada de o motorista abrir as portas do ônibus. Ele deixa o assento do motorista, sobe a escadinha, bate na porta (a essa altura eu já tava fazendo a sonoplastia lá de dentro do ônibus: "Abra a porta, Mariquinha!"), a comissária lá dentro resolve atender aos apelos e abre a porta com cara de bicho, fala alguma coisa, o motorista desce e alguns minutos depois, finalmente, abre a porteira do ônibus pra boiada sair - e respirar.

Uma loira platinada faz carreira e se lança na escadinha da parte da frente da aeronave enquanto eu cambaleava na mesma direção, cansada, suada, dolorida, matutando como subiria com a malinha do computador. Quase caio pra trás quando escuto o berro da comissária, Ó Manuel, deste lado, só passageiros da classe executiva! Manuel era o motorista do ônibus, que fique claro.

Entramos, nos acomodamos e rezamos pra Fortaleza chegar logo.
Nunca vi comissárias de bordo TÃO BRUTAS. Quatro horas de conexão + sete horas de viagem depois, Portugal só nos brindou com UM sorriso, vindo de uma das comissárias, talvez num momento de fraqueza.

Me diga voce: Portugal é todo assim ou eu tive azar? Por que todo mundo se comportava como se estivesse com hemorróidas supuradas? O que aconteceu com a cordialidade do povo Português - que eu acreditava tão gentil e tinha na mais alta conta?

Aprenda comigo: Pré-conceitos - bons e ruins - existem para serem revisados.

1 comments:

Karin disse...

Assim, não li tudo ainda, mas estes últimos meses tem sido algo "the amazing race" pra vc e o A, né ? rsrsrsrs espero que vcs consigam o milhão..
mil beijos

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