segunda-feira, 16 de março de 2009

. Twitter (de novo) ou "Why so Minimalist?" .

Modos que eu decidi realmente fazer um esforco e tentar descobrir por que diabos esse Twitter eh tao hype. Depois de vaaarias tentativas infrutiferas (nao desisti ainda, hein?), eis uma lista de coisas que me incomodam sobremaneira:
1. Limite de 140 caracteres: o que se consegue elaborar de um jeito minimamente inteligente que caiba dentro de 140 letras, incluindo espaco, ponto e virgula? Muito pouca coisa, o que me leva aos itens
   1.1. As twittadas tem um texto de meia duzia de palavras hermeticas que so fazem sentido pra propria pessoa. Dizem que isso eh cool, que ser hermetico passa uma aura de inteligencia, pra mim eh pura adolescencia (na pior acepcao da palavra).
   1.2. A pessoa diz que comeu uma pizza/o voo atrasou/ta dificil encontrar estacionamento e outras coisas do naipe, que a mim nao me interessam nem remotamente. Eu nao preciso, eu nao quero ter *tanto* acesso in real time a sua vida. Isso pode ser mais ou menos bacana numa rede de relacionamentos onde apenas amigos diletos podem ver suas asneiras, mas assim, pra todo mundo ver? Naaah.... Alias, que tipo de pessoa estah procurando uma vaga de estacionamento (sem sucesso) e ainda tem saco pra imortalizar esse evento historico no Twitter?
   1.3. Quando uma twittada eh associada a um link, este vem comprimido pra economizar espaco. Isso obriga a pessoa a manter aberta a pagina do site que foi feito especialmente pra comprimir os links. Jura que isso tem fundamento na sua cabeca?
2. Por conta da atmosfera claustrofobica, a pessoa repassa um link - que ateh pode ser interessante, mas eu fico sem saber que impressao aquilo deixou no individuo. E vamos combinar que "olha que legal" ou "incrivel" ou "horrivel" nem sempre sao suficientes.
3. As vezes uma das pessoas que voce segue atualiza o Twitter dela assim: "Tem post novo la no blog" + o link telegrafico. Oi? Se eu sigo voce, eu leio o seu blog. Alias, eu assino o feed do seu blog. Alias, talvez eu devesse desassinar o feed do seu blog.
Enfim, por que as pessoas estao se rasgando e cantando loas sobre o Twitter? No oceano dos blogs voce tem ferramentas e espaco pra exercer seu narcisismo de uma maneira mais util ou mais saudavel (porque blogs *sao* per se coisas bem eueueu, ne?), mas como fazer a mesma coisa num bebedouro de passarinhos?
Ah, mas a proposta eh diferente, voce vai dizer. Mas eh isso que eu to pelejando pra entender. "A" proposta. Porque ateh agora a experiencia estah sendo, sinceramente, angustiante. E me recuso a acreditar que a tal proposta seja transformar a comunicacao entre seres humanos em grunhidos taquigraficos - o caminho eh o oposto, pipol, o o-pos-to! E tambem me poupe do argumento ridiculo de "exercitar o poder de sintese": ja fiz varias resenhas de livros na escola, ja fiz vestibular (lembra da redacao?), ja fiz abstract, ja defendi monografias e nao sou uma pessoa melhor por causa disso.
pt saudacoes

5 comments:

Contra a Maré disse...

Não tenho como concordar mais do que concordo... falta espaço dentro dos 100% de concordância para ser mais de acordo.

Claudia de Paula disse...

Oi Ana !
Primeira vez que venho aqui. To adorando...
Quanto a este post: Bravo !
Tirou as palavras (que sao muitas, nao caberiam no twitter)da minha boca :)

Ciça Donner disse...

Vc escreve bem... sao textos sao deliciosos: engracados, claros, objetivos! Posso imaginar muito bem a razao pl qual tu te angustias com o Twitter.

Pra mim ele foi feito para quem nao sabe escrever... pronto falei!

Estou pronta para entrar no bebedouro pela zilhonesima vez por pura teimosia. Mas sei que daqui a pouco vou larga-lo de mao novamente! Eu falo MUITO

Borboletas nos Olhos disse...

Adorei te encontrar no meu blog, mas adorei ainda mais encontrar o teu blog. Você conseguiu traduzir minha estupefação ante o tal twitter. Sinto-me revigorada só de ler tuas reflexões. Obrigada por este prazer!

Borboletas nos Olhos disse...

Adorei te encontrar no meu blog, mas adorei ainda mais encontrar o teu blog. Você conseguiu traduzir minha estupefação ante o tal twitter. Sinto-me revigorada só de ler tuas reflexões. Obrigada por este prazer!

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